A neofobia é a tendência a rejeitar o consumo de novos alimentos. No desenvolvimento da neofobia, as crianças tendem a se negar a provar e a consumir alimentos novos ou alimentos que ainda não foram provados o suficiente para se tornarem familiares. Ela ocorre em humanos e já foi documentada em outros animais, como chimpanzés, micos e ratos. Acredita-se que, na natureza, essa característica seja adaptativa e possua efeitos protetores, de forma a evitar que os animais consumam frutos tóxicos e se envenenem. Na vida doméstica, esse tipo de comportamento pode levar a deficiências de macro e micronutrientes, visto que a criança desenvolve predileções muito fortes e restritas. Na maioria dos casos, as frutas e vegetais são os grupos mais rejeitados, em oposição à maior necessidade dessas fontes nutritivas durante o desenvolvimento infantil. Não se trata de uma condição permanente, sua prevalência tende a diminuir com a idade. Ela surge tipicamente em crianças de 2-3 anos de idade e, aos 5 anos, as crianças já demonstram vontade de provar novos alimentos. A exposição repetida tende a reverter a rejeição inicial. A neofobia alimentar possui etiologia mista, ou seja, vários fatores são responsáveis pelo seu desenvolvimento: – O desenvolvimento infantil normal conta com essa fase seletiva das crianças. Ao longo do tempo, elas procuram a autonomia de se alimentarem sozinhas, com as suas próprias mãos e, assim, acabam selecionando o que mais as agrada. – Filhos de pais seletivos tendem a ser seletivos. – A influência genética pode gerar maior tendência em algumas crianças do que em outras. – Em alguns países, como nos Estados Unidos, os bebês recebem menos frutas e verduras do que em outros. Em locais assim, a neofobia pode se tornar mais severa nas crianças acometidas – Crianças constipadas, com deficiência de zinco, com problemas dentários ou crianças com autismo tendem a ter o apetite reduzido. O acompanhamento de um profissional da saúde é essencial para o manejo adequado dessas situações. – Os costumes familiares, como a dieta, o incentivo e a confiança são essenciais para o bom desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis. Algumas orientações podem ajudar a evitar esse comportamento. Estudos indicam que compartilhar a refeição em família pelo menos 3 dias na semana pode ser um poderoso fator preventivo, visto que reduz os riscos de desenvolvimento de distúrbios alimentares em 35% e sobrepeso em 12%, consumo de alimentos não saudáveis em 20% e aumenta as chances de consumo de alimentos saudáveis em 24%. Procure também: – Evitar o comportamento alimentar restritivo entre os adultos – Manter uma atitude calma e agradável durante a refeição – Limitar a duração da refeição (20-30min) – Oferecer 4 – 6 refeições/lanches por dia somente com água entre eles. – Introduzir sistematicamente novos alimentos (8 a 15 vezes) – Oferecer alimentos apropriados para a idade – Encorajar a auto-alimentação – Aceitar a bagunça própria de cada idade – Tornar a alimentação em família uma prioridade – Evitar distrações durante as refeições, como TV, telefones celulares, livros, brinquedos, etc.. Aproximadamente 25% a 35% das crianças até a idade pré-escolar são descritas como seletivas na rotina alimentar. Apesar disso, a maioria delas se enquadra no desenvolvimento adequado da criança, com apetite e hábitos normais para a idade. Os pais e responsáveis observam o intenso crescimento e ganho de peso que ocorre nos dois primeiros anos de vida, quando, em média, elas alcançam 87cm de altura e 12,3kg de peso. A partir daí, a diminuição da taxa de ganho de peso para 1-2kg/ano e de estatura para 6-8cm/ano pode causar estranhamento, apesar de ser a média esperada entre os 2 e 5 anos de idade. Pais que acreditam que seus filhos possuem problemas alimentares possuem mais chances de superestimar as variações normais do apetite da criança. Assim, os pais devem procurar o acompanhamento ideal do pediatra pra seus filhos, seguindo as suas orientações e se conscientizando sobre as variações normais do apetite das crianças.

Fontes:

http://phxautism.org/wp-content/uploads/2016/10/Winkelmann.pdf http://jn.nutrition.org/content/early/2015/09/30/jn.115.217299.abstract http://ajcn.nutrition.org/content/86/2/428.full http://www.cps.ca/documents/position/toddler-preschooler-who-does-not-eat