Dermatite é um termo utilizado para descrever vários tipos de inflamação da pele, com características e etiologias diversas.

Na infância podem surgir diversos tipos de inflamações cutâneas, porém duas são muito frequentes além de terem diagnósticos diferenças entre si: dermatite atópica e dermatite seborreica.

Dermatite atópica:é uma inflamação crônica da pele caracterizada por xerose cutânea (pele seca), prurido e lesões com localizações variadas de acordo com a faixa etária .

Crianças com história familiar de atopia são mais predispostas a desenvolver a doença e sua presença na infância está relacionada com uma maior chance de desenvolver rinite e asma, caracterizando o que chamamos de marcha atópica. Pode acometer em média 15% das crianças, sendo que cerca de 50 % dos casos se iniciam no primeiro ano de vida.

A dermatite atópica é resultante da interação de fatores genéticos e ambientais, que resulatarão no comprometimento da função da barreira cutânea e do sistema imunológico. Também pode estar relacionada a alérgenos como alimentos e ácaros, estando a alergia alimentar presente em até 30 % dos casos de lactentes com a forma grave da doença. Entre os principais alimentos estão o leite de vaca, clara de ovo, trigo, soja e amendoim. o fator emocional e presença de infecções de pele também podem agravar o quadro.

Em geral, até 60% das crianças têm melhora ou desaparecimento total das lesões até a adolescência.

O diagnóstico é clínico, através do exame físico e pela presença de historia familiar e /ou pessoal de atopia.

O tratamento consiste em hidratação intensa e diária da pele, anti-histamínicos orais, uso de corticóides e imunomoduladores tópicos, probióticos (ainda não é um concenso)   além da exclusão dos alérgenos relacionados e de fatores que possam piorar a integridade da pele.

Nos quadros de dermatite atópica grave e de difícil controle podemos lançar mão de tratamentos como fototerapia e o uso de corticóides e imunossupressores sistêmicos. Porém esses devem ser usados com muito critério e por especialistas experientes.

O acompanhamento do estado emocional  é fundamental, pois esses pacientes podem apresentar maior tendência a distúrbios de comportamento, dificuldade de socialização e de aprendizado.

Dermatite seborreica: é uma doença de etiologia ainda não bem definida, com manifestações clínicas distintas nos lactentes, com maior incidência até 4 meses de vida. Teorias apontam que um aumento nas atividades das glândulas sebáceas resultante da ação de hormônios maternos, fatores nutricionais e/ou a presença do fungo malassesza furfur na pele desses pacientes podem estar relacionados ao seu surgimento.

A dermatite seborreica apresenta lesões eritêmatos-descamativas, com escamas esbranquiçadas ou amareladas, com eritema variável e em geral sem prurido. Localizadas principalmente no couro cabeludo (conhecida como crosta láctea), sobrancelhas, região retro auricular, região central da face e em alguns casos axilas, pescoço e região de fraldas.

É uma doença geralmente autolimitada, durando de semanas a meses, não apresentando recidiva em até 85% dos casos.

O tratamento consiste em higienização adequada das regiões afetadas além de mantê-las sempre bem arejadas pois a umidade e o calor levam à piora das lesões a utilização de óleos infantis ou vaselina para o amolecimento das escamas para posteriormente tentar removê-las delicadamente com uma escova macia. Esses procedimentos são na maioria dos casos suficientes para a resolução da dermatite seborreica, porém em alguns casos é necessário também o uso de xampu de cetoconazol e/ou cremes de hidrocortisona.

 

Fonte: Nestlé