Apesar de haver muita obscuridade a respeito do tema, passos importantes têm sido dados no que se refere à infecção de humanos pelo Zika vírus. A seguir, trataremos de questões que vêm sendo levantadas em recentes estudos, que ainda são numericamente baixos em se comparando com os relativos à dengue, por exemplo.

1) Quanto à relação da infecção na gestante e a presença de microcefalia no recém nascido

     O “The New England Journal of Medicine”, de 10 de fevereiro deste ano, publicou estudo contendo o sequenciamento do material genético do Zika encontrado no Brasil. Tal sequenciamento permitiu a avaliação de que o “nosso” vírus apresenta semelhanças com o encontrado na Polinésia Francesa.  O estudo também revelou a presença do Zika vírus em células nervosas do cérebro de um feto com redução do perímetro cefálico para a idade gestacional (microcefalia) cuja mãe contraiu a doença no Brasil durante a gestação.

      Essa associação, isoladamente, não produz certeza científica. Vários outros fatores têm que ser avaliados para que tenhamos a comprovação de que o citado vírus seja capaz, por si só, de causar infecção no feto.

     Os estados brasileiros onde houve maior aumento dos casos de microcefalia são Pernanbuco e Paraíba. No inicio de 2016, 3.670  casos de microcefalia no Brasil estavam sendo investigados, sendo que cerca de 400 foram confirmados e 700, descartados. Lembrando que em 2014 o número de casos foi de 147 e em anos anteriores  girava em torno de 100 (que pode estar associado além de menos casos, a um menor número de notificações).

     A demanda por mais estudos epidemiológicos se torna patente ao compararmos a situação de dois estados brasileiros. São eles Bahia e Pernambuco. No primeiro, o número de casos de crianças com suspeita de microcefalia totalizou 37 casos, menor do que em Pernambuco, que totalizou 646 casos suspeitos; ao passo que na Bahia, o número de gestantes infectadas pelo Zika vírus foi muito superior ao encontrado em Pernambuco.

2) Quanto à transmissão pelo leite materno

     Estudo realizado na Polinésia Francesa e descrito em artigo publicado na “Eurosurveillance” no ano 2014 encontrou partículas do Zika vírus em leite materno de mulheres contaminadas. Contudo, não há como afirmar que o aleitamento materno seja uma forma de transmissão do vírus. Infectologistas mais precavidos orientam a suspensão da amamentação pelo período de infecção (aproximadamente cinco dias). Outros não.

     Entretanto, vale ressaltar que independentemente da forma de contaminação, crianças que contraem a Zika após o nascimento, não evoluem com microcefalia.     Haverá sim manifestação da doença, com a presença de sintomas como febre, manchas no corpo e dores difusas. Mas é bom registrar que o sistema imune da criança ainda se encontra em desenvolvimento. Sendo assim, as doenças infecciosas nela tendem a se tornar mais graves.

3) Quanto à transmissão pelo ato sexual

     No ano de 2008, um cientista americano contraiu o vírus enquanto estava no Senegal. Ao retornar ao seu país de origem, sua esposa foi infectada, sem ter se ausentado da Califórnia por um só dia. Estudo publicado em 2011 pela revista “Emerging Infectious Diseases” revelou presença do Zika vírus no sêmen do cientista.

     Depois disso, novos estudos demonstraram o mesmo, se revelando provável a possiblidade de transmissão através da relação sexual não protegida por preservativo quando o homem estiver infectado. Logo, o uso de preservativo em relações sexuais torna-se mandatório quando um dos parceiros estiver com Zika (ou com suspeita).

4) Quanto à relação com a Síndrome de Guillain-Barré

     Esta se trata de uma evolução neurológica rara que pode ser provocada por diversos vírus ou bactérias, entre eles o Zika vírus. Em países onde existe surto de infecção por esse vírus, encontra-se aumento da quantidade de pacientes apresentando a síndrome. Assim está ocorrendo na Colômbia, que tem cerca de trinta mil pessoas infectadas pelo vírus (sendo que cinco mil estão em gestação, de acordo com o relatório publicado pelo Instituto Nacional de Saúde colombiano).

     Lá se observa aumento importante da frequência da síndrome de Guillain Barré, mas não há aumento do número de microcefalia em recém nascidos.

 

5) Quanto à quantidade de vezes que a pessoa pode ser infectada pelo Zika vírus

    Ainda não existem estudos que comprovem a imunidade da pessoa à doença após uma infecção. Todavia, no mês de dezembro de 2015, o jornal “O Globo” publicou matéria que expressou a opinião do microbiologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Dr. Paulo de Góes, no sentido de que, tal como ocorre com os diversos tipos do vírus como por exemplo da dengue e da chicungunha, uma vez infectada pelo Zika, a pessoa se torna imune a ela.

     Em acordo com o acima exposto ainda há uma longa estrada a se percorrer no campo das pesquisas científicas para a confirmação das hipóteses. O certo é que temos que nos prevenir!